Ora aqui está um livro que é um bocado como a Coca-Cola: primeiro estranha-se, depois entranha-se. Li algures que, ao contrário de outras obras do mesmo autor, este foi mal recebido pela crítica, na altura. Percebo. O Baricco usa um estilo experimental, diferente de qualquer coisa que já tenha lido. É um estilo difícil, horrendo para um leitor pouco determinado. Mas é genial. Pensando melhor, não percebo.
Há um rapazinho chamado Gould que é genial, apesar de ainda fazer chichi na cama em plena adolescência. Um dia vencerá o prémio Nobel, todos o sabem. Tem um par de amigos imaginários: um gigante, outro mudo, que nãofala pelos cotovelos. Relata-lhes combates de boxe do mítico Larry "Lawyer" Gorman, sempre que vai à casa de banho. Gould tem uma baby-sitter, uma tal de Shatzy Shell (nada a ver com o da gasolina) que tem westerns na cabeça (podemos ouvi-los aqui, lidos pelo próprio Baricco, em italiano).
Três mundos entrelaçados. A cabeça dele, a dela, e a nossa. Começa por parecer confuso, acaba viciante. Para quem sobreviva à aparente confusão, bem entendido.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

"Tenho os olhos cheios de estórias, como os meus olhos estão cheios de mundo. Quero falar-te deste mundo com o meu corpo aqui sentado – enquanto este lume, onde nós somos, é uma vida a fazer um brilho e uma memória, tão fortes como as figuras que se transformam e multiplicam diferentemente por estas brasas e que passam pelos olhos, atentos, de todas as gerações.
Senta-te aqui junto ao nosso quente e ao vento que oiço por baixo dos nossos pés (e que vem acolá daquelas frinchas) e à parede que escorre uma caliça humilde.
Senta-te aqui, querida neta, a ouvir as histórias como o meu bisavô Celerino ouviu do seu pai e do seu avô e do seu bisavô e o seu bisavô do seu bisavô. Os grandes homens ouvem as estórias. Depois, entregam-nas ao mundo. Só assim o mundo fica mágico e mais sábio. E completo.
Senta-te, querida neta, neste meu amor que é o amor pelo mundo a despontar a beleza arrancada à terra que vem cheia de raízes. Tanta raiz a crescer no corpo. Tanta raiz que é do corpo. O corpo é da terra e só a ela lhe pertence. A terra dá estórias ao mundo, para sempre, estórias de verdade, como esta que começa assim para ti:
Antigamente os vivos não morriam, querida neta. Não havia morte, diziam os antigos."
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Sugestões DI Livros
Após muitas conversas sobre livros que cada um de nós leu, gosta, não gosta, surgiu a ideia de partilhar com a blogosfera estas impressões e sugestões que vamos dando uns aos outros. Há já algum tempo escrevi na minha página pessoal um comentário sobre um livro marcante, "A Sombra do Vento" em jeito de sugestão de leitura. Ainda este ano o João Lourenço iniciou no forum da disciplina de ISRC um tópico que incluía sugestões de leitura. Estas sugestões são demasiado valiosas para serem esquecidas e misturadas no meio do nosso trabalho, têm um lugar próprio. Aqui!
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