segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

City, de Alessandro Baricco

Ora aqui está um livro que é um bocado como a Coca-Cola: primeiro estranha-se, depois entranha-se. Li algures que, ao contrário de outras obras do mesmo autor, este foi mal recebido pela crítica, na altura. Percebo. O Baricco usa um estilo experimental, diferente de qualquer coisa que já tenha lido. É um estilo difícil, horrendo para um leitor pouco determinado. Mas é genial. Pensando melhor, não percebo.

Há um rapazinho chamado Gould que é genial, apesar de ainda fazer chichi na cama em plena adolescência. Um dia vencerá o prémio Nobel, todos o sabem. Tem um par de amigos imaginários: um gigante, outro mudo, que nãofala pelos cotovelos. Relata-lhes combates de boxe do mítico Larry "Lawyer" Gorman, sempre que vai à casa de banho. Gould tem uma baby-sitter, uma tal de Shatzy Shell (nada a ver com o da gasolina) que tem westerns na cabeça (podemos ouvi-los aqui, lidos pelo próprio Baricco, em italiano).

Três mundos entrelaçados. A cabeça dele, a dela, e a nossa. Começa por parecer confuso, acaba viciante. Para quem sobreviva à aparente confusão, bem entendido.

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